3.8.06

Eu vi a moca


Battery Park, extremo sul de Manhattan. Apos passar o dia mais quente do verao trancado no forno do meu apartamento no Brooklyn, resolvi dar uma saida, respirar um pouco da brisa do mar. Ali se encontram os dois rios que circundam Manhattan. Minha amiga Amalia disse que aquele sempre foi um local importante pros indigenas que ali viviam antes de tudo isso. Onde se cruzam os caminhos, lugar de encontro de povos, trocas de mercadorias, intercambio.
Depois que enxotaram os indios dali, algumas centenas de anos atras, era onde ficavam os canhoes que protegiam Nova York de ataques por mar. Hoje e' um ponto verde rodeado do distrito financeiro, com todos os seus predios espelhados, yuppies e Wall Streets. O centro da grana no mundo. O parque e' um lugar estranho, tem um monumento para cada guerra que os EUA participaram. Do outro lado da rua, o Museu do Indio Americano, onde Amalia trabalha. Ela disse que no dia em que bombardearam o World Trade Center, a fumaca ali era insuportavel.

Parei na beira do rio. O sol se punha, refletindo-se na agua com dezenas de barcos a vela. O Ferry Boat lotado ia em direcao a Staten Island. Ao fundo, no meio da agua, discreta, meio de lado, eu vi a moca. Com aquela mesma cara de gringa, em pe, impassivel, segurando sua tocha com a mesma coroa de sempre. Nao me surpreendi, nao me emocionei. Nem mesmo tirei uma foto. Demorou quatro meses, mas um dia ela ia ter que aparecer na minha frente. Vi a estatua, mas a liberdade eu nao vi.