25.8.06

Antropologia das batatas

Cheguei na casa de campo de Miguel e Christine e não tinha comida em casa, então Christine propôs-me uma experiência antropológica: almoçar num legítimo Diner dos rednecks locais. Diner ("dainer") é aquele fast-food típico americano, letreiro brilhante decadente, com mesinhas para quatro com um banco de cada lado, dispostas ao logo do recinto comprido e estreito. A típica garçonete redneck americana, overweight e com cara de fofoqueira, nos trouxe o cardápio. Miguel escolheu um frango com salada, Christine alguma coisa com batata fritas. Eu estava com preguiça de fast-food, na verdade. O que mais me apeteceu foi um omelete de cogumelos com queijo. Olhei nas porções avulsas e me decidi por um purê de batatas. Só faltava eu fazer o pedido. Fiz. A mulher me informou que o omelete já vinha com batatas. Perguntei então se podia trocar as batatas pelo purê, e ela me olhou como se eu fosse um lunático. "Não temos purê de batatas", respondeu, mal-humorada. Ia contra-argumentar mostrando o cardápio, mas achei que não valia a pena. Quando a mulher se virou, Christine comentou, divertindo-se: "Você transgrediu as regras. Não se serve purê de batata com omeletes". Me espantei. "Purê de batatas é só no jantar, com carne. E omelete é breakfast". "Então come-se batata frita no café da manhã e purê no jantar?", perguntei. "Não, batata frita é no almoço. Seu omelete vai vir com batatas caseiras, que é uma batata cozida e depois levemente frita." E assim descobri mais uma coisa sobre os hábitos alimentares dos nativos desta terra exótica: de manhã, homey potatoes; ao meio dia, fried potatoes; à noite, mashed potatoes.