The Boston Experience, parte 3: Saturday

Acordei sabado em Boston aas 10 horas da manha. A chuva ainda nao tinha dado tregua. Todo mundo dormindo. Fiquei escrevendo uma carta pro Joao, meu irmao. E’ que o Leo vai fazer uma escala em Paris pra visitar o brother, antes de chegar ao Libano. Entao nada melhor que uma correspondencia em maos.
Acordado o povo, saimos para almocar eu, Leo, Tapan e a outra garota simpatica que mora com eles (eh, memoria de barata!), pra encontrarmos com mais tres pessoas num restaurante indiano, na Central Square, regiao central de Boston. Passamos no banco e o Leo me emprestou uma grana. Maravilha, um self-service de primeira qualidade em que se come comida indiana aa vontade por 13 dolares. Isso definitivamente nao existe em Nova York, I guess. Mais estudantes internacionais: a Sophie, dona do “meu” quarto, francesa, seu namorado italiano e mais uma garota de Taiwan. Todo mundo muito mais legal e receptivo do que a maioria das pessoas que eu conheci em Nova York. Fiquei pensando que talvez seja porque eu, apesar de estar na Columbia, nao entrei exatamente no “circuito universitario”. Mas tambem, fazendo uma analogia tosca, pode ser porque Nova York e’ como Sao Paulo, e Boston e’ como uma big Barao Geraldo.
Apos a orgia gastronomica, fomos tomar um café’ ali em frente. Um lugar bem interessante. Nas mesas da frente as pessoas tomando café, e atras uma area cheia de gente estudando, lendo, olhando a internet em seus laptops. No canto, uns jogos de tabuleiro (tipo Banco Imobiliario, Detetive, War), duas grandes mesas de sinuca e uma maquina de fotos 3 X 4. O mais estranho e’ que era proibido fumar e beber alcool.
Cafes tomados, as tres garotas decidiram ir embora e ficamos os quatro marmanjos, eu, Leo, Tapan e Andrea (o italiano), jogando um melhor de tres de sinuca, Brazil x resto do mundo. O Brazil ganhou. Antes de irmos, tiramos, eu e o Leo, uma fotos 3 X 4 na maquina. Eram fotografias preto-e-branco, que nao eram copias uma da outra (a maquina tira varias fotos). Na verdade as pessoas nao usam esta maquina “seriously”, usam pra tirar fotos engracadas. Uma das fotos ficou comigo, a outra com o Leo e a outra foi dentro do envelope com a carta para o Joao.
Mais um pouco de chuva no coco, um docinho arabe na esquina e uma passagem numa loja de computadores pra comprar um microfone e poder falar com o Joao pelo Skype. Chegamos em casa e nada de Joao plugado. Ele tinha dito que ia fazer uma feijoada com uns amigos la em Paris, e estaria conectado. Falamos com meus pais, e ensinei o Leo a usar o Skype. Dai’ comecamos a conversar sobre o Oriente Medio, que e’ o que o Leo estuda. Putz, tive uma puta aula sobre historia e antropologia da regiao, que quem sabe eu conto outra hora. A gente nao tem nem nocao do que rola pelas bandas de la’, acha que muculmano e’ tudo a mesma coisa e faz analises super etnocentricas sobre os caras. A gente faz questao de mostrar nossa diversidade pros outros, mas nao tem muita nocao da diversidade dos outros. Voltei pra casa com um DVD gravado cheio de musicas do Ira, da Turquia, da Bulgaria, da India, da Franca… coisas muito legais.
Aa noite a orgia gastronomica continuou, com um PF de rango arabe delicioso e barato. Depois mais uma baladinha, dessa vez num bar bem americano. O grupo era dessa vez eu, Leo, Tapan, mais duas garotas turcas, um espanhol, uma bulgara e um cara de Bangladesh. As pessoas nao se conheciam todas entre si, entao ficou um jogo engracado de adivinhar de que pai’s o outro era. As pessoas raramente acertavam. A garota bulgara me disse que pela minha cara eu podia ser bulgaro…
Ai’ acabam as emocoes. Despedi do Leo e do Tapan antes de dormir. Fui deitar aas tres da manha. Aas 4 acordei morrendo de dor de estomago, fruto da mistura de duas noites de cerveja intercalada com comida indiana altamente apimentada. Gastrite… dormi de novo la pelas 6. Acordei de vez aas 8:30 da manha e sai’ mais uma vez na chuva, sem guarda-chuva, pra pegar o metro ate’ a rodoviaria. Errei o caminho. Quando cheguei na estacao, eu estava completamente encharcado. Peguei o onibus das 10 da manha e quando eram duas da tarde eu estava de volta em Nova York. Sem transito dessa vez. Andei pelas ruas de Chinatown ate’ o metro. O sol brilhava e meus sapatos coachavam, ainda ensopados com as aguas bostonianas.


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