The Boston Experience, parte 1: a viagem

Liguei na sexta pro Leo, meio pra desmarcar a ida a Boston. Falta total de grana, as opcoes disponiveis de levantamento de fundos falharam, e o que restou da minha bolsa estava no limbo, em algum nao-lugar entre a minha conta americana e a minha conta brasileira. Mas ai’ o Leo me convenceu, disse que me emprestava uma grana, e eu acabei decidindo ir. Mandei um scrap a jato pro Horacio pedindo pra ele me ligar (ele ainda nao tem um telefone). Mas acabou que ele nao ligou, e nao encontrei com ele na viagem.
Fiz as malas e me mandei pra Manhattan. Eram quatro da tarde de sexta-feira, eu nao tinha almocado direito, estava com sede, mas cheguei em Chinatown e o onibus estava saindo. Sao umas linhas administradas por uns chineses, baratinhas, bem populares. O motorista era um cara negro, de meia-idade, alto, forte e com um bigodinho estilo Hitler. Fui o ultimo passageiro a entrar e, enquanto procurava um lugar, fui ouvindo o tal motorista bater com forca os porta-malas acima das poltronas e falar de maneira tao polida quanto um sargento dando ordens aos seus recrutas:
- Ok, vamos a Boston, certo? Voces precisam saber duas coisas. A primeira: nao vamos parar este onibus ate deixar essa cidade. Nosso objetivo e’ sair daqui o mais rapido possivel, entenderam? Segundo: Se voces trouxeram algo para comer na viagem, nao joguem lixo no chao! E tem mais uma coisa: se voces avisaram alguem que iriam chegar aas 8:30 da noite, podem jogar seus relogios pela janela que voces nao vao chegar nem a pau!
No onibus, escutei pessoas falando em ingles, espanhol, portugues, algo que devia ser indiano, algo que devia ser chines ou coreano e mais uma lingua que nao identifiquei. O onibus cruzou Manhattan e, ao chegar na ponte para o Bronx, comecou um engarrafamento tipicamente paulistano, que durou mais de duas horas. O onibus deve ter andado uns 30 quilometros por hora, se muito. De repente o transito acabou como por um passe de magica e a viagem transcorreu normalmente. Comecou uma chuva na estrada que so’ terminou no caminho de volta.
Aas nove da noite eu ja’ estava resignado a so’ comer ou beber algo em Boston. Dai’ o onibus parou. Olhei para fora e era um fast food, tipo um sub-Mc Donald’s, chamado Roy Rodgers, ou algo assim. Antes de abrir a porta o motorista levantou-se e deu as novas instrucoes:
- Ladies and gentleman, vamos parar por 10 minutos. Se voces demorarem mais de 10 minutos, percam as esperancas de chegarmos antes das 10:30. Portanto, sejam rapidos!
-
Oh, fuck. O pior e’ que os americanos tem mesmo essa mania de nao ligar muito pra hora da refeicao. As pessoas comem em pe’, andando, na frente do computador. Ninguem tem o costume de fazer uma pausa de mais de meia hora para o almoco em dias normais. Desci desesperado de fome e fui obrigado a consumir, por absoluta falta de opcao, meu primeiro cheeseburger em solo americano, com batatas fritas banhadas em oleo queimado e um suco de maca~ “quase” natural. Cada um catou seu lanche e foi comer no busao, saimos em dez minutos e, como previra o eficiente motorista, aas 10:30 estavamos no South Terminal, a- ou uma das, nao sei bem- rodoviaria de Boston.
Chovia, chovia, chovia. E’ claro que eu nao tinha um guarda-chuva. Tudo o que eu tinha no bolso eram quarenta dolares. Liguei pro Leo, que ja’ estava preocupado com a minha demora. Ele estava num bar chamado Wally’s e falou para eu ir para la’. Por sorte o bar era do lado de uma estacao de metro. Pronto, eu estava em Boston. O resto era lucro.


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